segunda-feira, 19 de novembro de 2012




Presos na fronteira

Estivemos na semana passada no estado do Acre, mais precisamente em Rio Branco.

É a terra natal da minha esposa, e mesmo estarmos casados há 38 anos, nunca tinha visitado este estado. Meus cunhados que são numerosos, já tinham me convidado há muito tempo, entretanto eu alegava sempre que “É muito contramão” ou “Quando ficar mais perto eu irei (?)”

Até que finalmente neste mês de novembro, houve o casamento de uma sobrinha da esposa, e não sei se por eu estar mais idoso, decidi a me aventurar.

A primeira coisa que notei ao descer do avião foi o calor escaldante, mesmo para mim que estou acostumado pelo calor do Pará. Como todos os parentes estão bem empregados, parecem que não fazem muita diferença, pois só vivem no clima de montanha, tanto nas residências, nos trabalhos ou nos automóveis.

Após a cerimônia de casamento, e visitar todos os parentes, convidaram para conhecermos a cidade natal da minha esposa, a Brasiléia, já na fronteira com a cidade de Cobija na Bolívia.

Nesta cidade de Cobija, existe a zona franca com lojas de variadas mercadorias com preços mais em conta.

Partimos num dia bem cedo e ao chegar a Brasiléia, atravessamos a ponte que liga a Cobija, juntamente com minha cunhada e a filha dela.

Fizemos várias compras e perto do meio-dia, decidimos voltar, mas aí os vendedores da loja estavam comentando que haviam fechado a ponte.

Segundo o relato deles, um moto taxista brasileiro tinha sido preso por estar portando 2 mil dólares, produto de um ato criminoso, e os colegas dele tinha bloqueado a ponte do lado boliviano.

Fomos verificar e realmente o tumulto era bem grande, com tudo bloqueado e sem previsão de liberalização.

Fomos à delegacia de policía (em espanhol) pedir informações, mas a autoridade local foi irredutível e só fez nos aborrecermos mais, e na discussão acabamos presos, e conduzidos a uma cela.

- E agora como é que vamos livrar dessa? Estávamos a lamentar.

- É só mesmo o Evo Morales para livrar-nos...

- O que!?  É verdade!!! Nós temos ele!!! Disse eu aos gritos.

Lembrei-me que o marido da minha cunhada, tem uma aparência de um boliviano, e sempre tirava graça com ele falando –Hola Comandante ¿cómo estás?   

Falei para minha cunhada ligar para ele no celular, e vir fantasiado com aquelas vestimentas que utilizou no último carnaval.

Minha cunhada entendeu e logo ligou para ele.

Logo a seguir ouvimos um tumulto lá fora, e alguém estava gritando.

- No admita esa prisión, aflojar inmediatamente a estas personas, o cabezas rodarán!

- Sí mi comandante, sí!

Fomos soltos imediatamente e lá fora encontramos o meu cunhado todo paramentado com o traje do presidente boliviano, cheio de medalhas.


Um comentário:

  1. Como sempre, o final reserva uma surpresa e com essa fotomontagem o conto ficou ótimo!

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